domingo, 2 de janeiro de 2011

E AGORA JOSÉ - Parte II

Agradeço aos amigos/leitores que entraram em contato me pedindo para postar a segunda parte do texto.
Desde já, peço desculpas pela demora. O fim de ano foi bem corrido, mas agora acho que as coisas melhorarão.

Bem, como falei no post anterior, a visão que tenho de José é menos romântica da que a maioria tem ou pelo menos a maioria das pessoas que eu já ouvi falar sobre José.

O José que recebeu o sonho de Deus é bem diferente daquele que recebeu os seus irmãos quando vieram para o Egito.

Aquele era um menino imaturo, mimado e em certa medida prepotente Um verdadeiro contraste com o homem sábio, amoroso, fiel, leal e generoso, responsável e íntegro que aparece a partir do capitulo 39 do livro de Gênesis.

O que aconteceu então? qual a razão dessa mudança tão radical?
Diz o ditado que "O tempo se vingará de qualquer coisa que for feita sem a sua colaboração". Eis o primeiro desafio que José teve de enfrentar: O TEMPO

Entre o sonho/promessa e a concretização, passou-se algum tempo. Pra dizer a verdade, passaram-se alguns anos.

Não tenho a menor dúvida que maturidade e tempo estão intimamente ligados, de forma que raramente andam separados.
A juventude é forte e impulsiva, mas é o tempo que traz a maturidade necessária para entender e discernir o que de fato vale o esforço e dedicação.

Parece besteira mas só o lapso de tempo já seria, por si só, um grande instrumento de transformação.

José precisou lidar com a ansiedade pois certamente seu coração gostaria de ver o sonho concretizado o quanto antes. Porém, não é essa a maneira de Deus trabalhar.

Para nós que estamos presos às contingencialidades do tempo, esperar é uma tarefa muito difícil. Mas josé não tinha escolha, assim como um pai de família desempregado não tem, ou alguém com um diagnóstico terminal, ou uma mulher que não consegue engravidar, nem mesmo um estudante que se prepara para o vestibular... o tempo aflige a todos nós.

Um telefone que não toca, uma carta/e-mail que não chega, uma situação que não se resolve, uma pessoa que não aparece, uma dor que não cessa, uma porta que não se abre... o tempo aflige a todos nós.

Mas não era só uma questão de tempo. Outras professores importantes a vida deu a José.

1º DECEPÇÂO

Tudo bem que os ânimos estavam exaltados, a relação já não ia bem e que José e seus irmãos estavam por se estranhar. Mas nunca, jamais, nem ele nem mesmo seu Pai seriam capazes de imaginar que seus irmãos fariam o que fizeram.

Diz o texto que os irmãos "avistaram-no de longe e conspiraram contra ele para o matarem"
É muito forte o que está relatado. A Inveja tomou o coração deles de tal maneira que se transformou em ódio e obssessão. Nesse estado emocional que estavam, eles desconsideraram tudo que os envolviam. Os laços, os vínculos, a história... meu Deus ele eram irmãos !!!

Deixar de falar por um tempo, é coisa de família. Ficar de mal, é coisa de família. Mal-estar, desentendimento, até ma briguinhas...,que família não passa por isso.

Mas os irmãos de José foram longe, bem mais longe. O que queriam era ELIMINAR José.
A presença de José lhe era tão incômoda que para ele, a única saída seria riscá-lo da existência, removê-lo da história, deletá-lo da vida.

Rubens ainda tentou evitar o mal e de certa forma conseguiu, ao invés de matá-lo os irmãos o venderam.

Na prática é quase a mesma coisa pois no coração dos irmãos José de fato morreu e para o José, sua família também morreu.

Se considerarmos que morte é uma separação, José foi separado de sua família.

Os irmãos estavam tão obstinados que conseguiram sentar-se e comer enquanto tramavam o que fariam a José.

Essa é a imagem de uma cova da época


Imagino qual devia ser a sensação de José. Enquanto a angústia o consumia de um lado, seus irmãos decidiam o que fariam dele.
O que me deixa pasmo são os detalhes da história. Provavelmente José ouvia tudo. Devia ser como ter morrido e assistir, no próprio funeral, os familiares discutindo quem ficaria com o quê?

A dor de José não era capaz de provocar a menor interrupção na rotina de vida dos irmãos. Eles simplesmente, sentaram, comeram e deliberaram. Me assusta essa frieza e insensibilidade.Também, o que se poderia esperar de pessoas que queriam matar a José?

Imagino o quanto o menino gritou, chorou, implorou para que não fizessem aquilo. Em seu coração esperou o mínimo de humanidade, de carinho, de amor... mas não há espaço para tais sentimentos quando a obstinação em destruir alguém se instá-la.

Era duro, mas não havia jeito. José tinha que aprender a se decepcionar.

Ninguém passa pela vida sem se decepcionar, sem ser traído, sem ser "vendido". Não, ninguém passa.

O pior é que na maioria das vezes essa dureza, crueldade e insensibilidade chega até nós pelas mãos de quem menos esperamos.

Sim José não era nenhum santo, teve sua parcela de culpa na questão, porém, nada justifica tamanha brutalidade.

Rubéns ainda tentou impedir, mas quando chegou já era tarde demais, José já fora vendido.

Rúbens representa a sensatez que não é forte o suficiente para conter o fluxo do ódio, da inveja e da obsessão.

Quantas coisas não passaram na cabecinha de José?

Para onde vou? o que farão de mim? Será que um dia verei meu pai novamente? José era só um garoto, só um garoto.

Mas Deus precisava fazer do menino, homem. E não há outra forma de crescer senão com a dor.

O 2º professor de José se chama SOLIDÃO

Não havia mais Papai e mamãe, irmão mais velho... NADA. José estava só. A única coisa que tinha era a Palavra de Deus.

É muito poético e bonito de se falar, mas na prática não é nada fácil. A Palavra nos conforta é verdade, Deus nos reanima é fato, mas somos humanos.
Todos queremos um carinho, um abraço, uma palavra de incentivo. Ninguém é tão machão e forte que não necessite de uma ajuda, de um "xodózinho".

Nossa humanidade é destacada quando sentimos dor, frio, solidão, medo, angústia, desamparo, desânimo... nessas horas, quando o coração tá apertado e doído, quando não se vê luz alguma e as perspectivas todas desaparecem, quando o chão abaixo de nós parece tremer, um nó se instala na garganta e o peito dói como se uma espada tivesse atravessado... nessas horas a gente chora e chora muito.

O ano que passou me trouxe bastante dessas dores. Lembranças que eram pra ser doces refúgios, paraísos etéreos, tornaram-se em fel e angústia.

Rostos, vozes, lugares... tudo dói. O aconchego do lar era tudo que ele queria. Sentar à mesa com os irmãos e reconciliar.

Corações aquecidos e abrasados, perdão farto, abraços sinceros. Sem acertos de conta, sem culpa e compensação, só o amor que grita mais alto, brande sua voz e diz: O mais importante não é a túnica José, o mais importante somos nós, a família.

Deus habita em “nós”. Ele é aquele que passeia pelo meio dos candelabros. Cristo é NÓS é a esperança da glória.

A atitude dos irmãos de José fez chorar o Pai, O irmão mais velho, José e acredito que até mesmo os irmãos. O tempo passa e as reflexões chegam.
Ninguém consegue botar a cabeça no travesseiro com tranquilidade e dormir o sono dos justos depois de ter feito o que fez.

Assim como o sangue de abel clamou, a vida de José também o fez.

Porém, apesar de toda a dor, do alto Deus olhava e dizia: EU É QUE SEI QUE PENSAMENTOS QUE TENHO A TEU RESPEITO, E VOU TE CONTAR QUE SÃO PENSAMENTOS DE PAZ E NÃO DE MAL.

A história não acaba ali, GRAÇAS A DEUS.

Aguardem, a parte 3 virá.

Eric Jóia, 02/01/2011, vivendo o ano de José.

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