sexta-feira, 11 de março de 2011

PEQUENEZ


Interessante como nosso grande Deus gosta mesmo é de coisas pequenas e com elas se contenta. Vivemos querendo oferecer-lhe algo grande, acertar o centro de sua vontade, mas Ele gosta mesmo é do pequeno, do singelo, do simples.

O que se esperar de um Rei que entra triunfalmente num jumento, que diz-se revelar no rosto do pobre, que exalta o humilde, nos convida a sermos os últimos, a dar a outra face, que esvaziou-se de atributos de poder para exaurir-se em amor até a morte?

Mais (des)interessante do que tudo isso, é nosso anseio pelo grande. Investimos nossa vida, nosso tempo, esforços, recursos e saúde em projetos que são grande demais.

Coisas grandes demais, demandam tempo demais, desgaste demais, vida demais e nada que é demais é bom.

Na medida em que mergulhamos no demais, nos afastamos daquele que gesta o pequeno.
Quem está comprometido com o grande, anda rápido demais, não dá atenção às beiras do caminho, está sempre de “an passant”. E quem vive correndo não vê os lírios do campo, só anda olhando pra cima, não vê sorrisos infantis, não dá gargalhadas e, na verdade, nada tem, é tido.

O engraçado é que, mesmo sabendo disso tudo, sou constantemente tentado a envolver-me com mais do que posso fazer. E caio. Ou não entendo os porquês ou faço que não entendo, mas é a ânsia latente de ser reconhecido pelo que faço ou tenho. O problema são as categorias do Reino, onde o que importa é o que se é.

Quando se tem para se ser, não se tem, se é tido! O que realmente temos é aquilo que somos.

No reino do Grande Deus, somos chamados à pequenez, porta de entrada para as coisas grandes de verdade.

Fonte: Blog do Fabrício Cunha

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