segunda-feira, 2 de maio de 2011

ESQUECER E PROSSEGUIR



“... quanto a mim, não julgo que tenha alcançado, mas uma coisa faço. Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para que estão diante de mim, prossigo olhando para o alvo, para o prêmio da soberana vocação que está em Cristo Jesus...”

Esse texto é tão rico que às vezes fico realmente em dúvida se Paulo tinha a intenção consciente de abarcar tanto significado ou se a inspiração do Espírito Santo desconsiderou a limitação humana do Apóstolo, mas isso é coisa que eu mesmo vou perguntar a ele quando nos encontrarmos na Nova Jerusalém
Tentarei organizar as idéias.

A análise que Paulo faz de si mesmo é a de alguém que está passando por um processo. Ele sabe da existência de algo/lugar que está para além de si, mas reconhece que ele mesmo, embora tenha ciência desse algo/lugar, ainda não tenha chegado lá, onde quer que “lá” seja. E é aqui que começa minha admiração por este homem e sua contribuição para o evangelho.

Não sei se vocês se lembram mas estamos falando de alguém que foi arrebatado ao 3º céu e viu coisas “inefáveis que aos homens não é licito revelar”. Diferente demais de uns profetinhas da pós-modernidade que por conta de uma meia dúzia de mensagens medianas já se acham a última coca-cola do deserto passando a ter direito adquirido pela revelação(na verdade seria iluminação) e cobrando direitos autorais para compartilhá-la com os pobres incautos. Mas deixa isso pra lá, já a minha carnalidade começa a ganhar espaço.

Estamos falando da vida cristã e Paulo a compara a uma jornada, uma viagem. Isso me faz lembrar do versículo “Aquele que começou a boa obra em nós, é fiel para completa-la até o Dia de Cristo”. 

Passamos pela experiência do novo nascimento (aceitamos a Jesus) sem a menor idéia do que acontecerá dali pra frente. A verdade é que Deus começa dentro de nós uma obra com o objetivo final de nos fazer semelhantes a Jesus. Mas vamos por parte.

Paulo sabia dessa trajetória e de como ela é absolutamente pessoal. Tanto é assim que ele pára e analisa a si mesmo chegando a conclusão de que não tinha alcançado ainda, ou seja, ele tinha certeza de que algo já havia iniciado no seu interior mas que ainda não havia terminado.

A primeira confrontação que o texto no faz é justamente essa: De fato começou algo dentro de nós? Tivemos um encontro com a Pessoa de Jesus? O Pai realmente se revelou a nós? Não sei quanto a você e nem você quanto a mim, mas de uma coisa eu tenho certeza, até porque Jesus falou que seria assim. 

Há muitas pessoas que julgamos terem tido uma experiência de conversão, de novo nascimento que jamais tiveram um real encontro com o Senhor. O contrário também é verdadeiro pois podemos achar que determinada pessoa não teve essa experiência e o Senhor ter se revelado a ela.

Dormir numa garagem não faz de você um carro, assim como entrar num forno não o transforma em pão. Portanto, frequentar com regularidade um igreja não é garantia de que se tenha, de fato, nascido de novo. Não vou me alongar nisso porque não quero falar sobre novo nascimento, minha intenção é tratar de um passo que vem após, a caminhada cristã.

Paulo é honesto consigo mesmo e reconhece que ainda não alcançou, o que é primeiro passo pra uma mudança. Não há doente que possa ser tratado se não aceita sua condição. Se Paulo considerasse que já havia alcançado, não haveria possibilidade de avanço. 

Aqui cabe uma observação. Todos nós deveríamos olhar com essa perspectiva, a de que “ainda tá faltando”. Aceitar isso, torna mais fácil o relacionamento com os irmãos uma vez que se falta algo pra mim, também pra ele isso é verdade. 

Tenho certeza que a cobrança seria bem menor se, de verdade, entendêssemos isso. Não haveria mais necessidade de maquiar, fantasiar e mostrar alguém que não se é, afinal, estamos todos, sem exceção de qualquer natureza, em processo de transformação.

A análise é boa, necessária mas nem de longe encerra a questão, antes nos coloca diante de 3 possibilidades. Voltar, parar ou seguir e aqui é o ponto crucial do texto. 1 decisão composta por 3 atitudes:

Esquecer

Determinadas coisas em nossas vidas não podem ser negociadas, exigem de nós uma postura radical, um corte, um basta. Muitas vezes o que precisa ser cortado tem é algo pelo que temos muito apego e sentimos como se fosse arrancar um pedaço de nós. Um relacionamento, uma amizade, uma prática secreta... parece que não há possibilidade de viver sem aquilo e ficamos temerosos de largar. Acredite, seja o que for que tivermos que abrir mão por ser imcompatível com o evangelho, não nos é vital, necessário, nem mesmo bom. Deus é amor e não sadismo e se exige de nós a renúncia de algo, podemos confiar que Ele sabe o que faz.

Olhar

Parece uma besteira mas o olhar é fundamental para nossa caminhada cristã. Basta lembrar que não foram as tempestades que fizeram Pedro afundar mas o fato de ele ter tirado os olhos de Jesus e fixado nas circunstâncias.

A única coisa que não pode ser mudada em nenhuma hipótese é o passado, portanto, ficar olhando para ele e se lamentando não tem o poder de mudá-lo, apenas nos paralisa. Gosto do versículo “não diga que os dias passados foram melhores...” os melhores dias da nossa vida são aqueles que ainda estão por vir. 

Ninguém projeta ou avança se ficar preso ao passado. Aprender com ele é importante, porém tão importante quanto é colocar cada coisa no seu lugar e passado é passado, e ponto final. Olhe para frente e veja o mundo de possibilidades que a vida te oferece.

Prossigo para o alvo

Continuo esse ponto depis... tõ cheio de sono. QQ coisa... ericjoia@uol.com.br

Um comentário:

Daniel Ben Yossef disse...

Muito bom o texto, meu amigo!

Mais uma vez, suas palavras são precisas e vêm direto ao nosso coração...

Toma umas cápsulas de guaraná (um chimarrão também vale) e continua logo!

Abração,

Dani

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